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O processo de um Brainstorm é promover, de fato, uma verdadeira tempestade de ideias. Para melhor eficácia deste modelo é bom não impor restrições de pensamentos ou de conduta. Na prática, as ideias mais loucas e viajantes podem participar e ganhar lugar.

Saindo de um processo individualizado, se formos analisar do ponto de vista social ou até mesmo global, encontraremos alguns brainstorm's bem parecidos e semelhantes. Ideias e correntes de pensamento que de uma maneira aparentemente inexplicável se entrelaçam e se encontram para formar o todo, um conjunto completo por trás da inovação.

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Neste contexto, gosto de sempre citar “Newton x Leibniz” e a criação do cálculo. A descoberta do cálculo foi um dos maiores, se não o maior, marco da ciência. Com ele se pôde resolver problemas até então complexos como calcular áreas de diversas curvas, velocidade e aceleração instantânea se tornaram simples e essa foi uma das maiores revoluções da ciência. Newton, era inglês e Leibniz, Germânico / Alemão.

Apesar de Newton para a história ser considerado o criador do cálculo, Leibniz publicou 10 anos antes do livro de Newton (o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica) o teorema fundamental do cálculo. Segundo este site, Newton relutou a dividir os créditos pela criação do cálculo, Leibniz acabou sendo acusado de plagiar os trabalhos não publicados de Newton. Como um comentário pessoal, este é o ponto da história em que fica uma interrogação. Na época, Newton era muito mais poderoso que Leibniz. Basta pesquisar um pouco da vida de Newton. Mas como a história é redigida pelos vencedores, essa parte da história fica com um verdadeiro ponto de interrogação. O fato principal é que mesmo se Newton ou Leibniz tivessem morrido em algum ponto do tempo antes da publicação, a inovação que o cálculo trouxe a humanidade certamente teria sido publicada.

A inovação, de uma maneira geral, pode representar uma invenção, uma técnica, um modelo alternativo, um aperfeiçoamento, entre outros. Toda inovação de alguma forma chega para combater a escassez que é imposta naturalmente ao homem por toda sua vida. E pensando dessa forma, nunca há um ou dois pesquisando sobre um mesmo assunto, mas sim incontáveis indivíduos, em diversas nações, visto que a escassez incomoda a todos de uma maneira geral. A corrente do brainstorm coletivo não é fruto de um único indivíduo ou de um pensamento centralizado.

Ludwig von Mises, em seu livro Teoria e História, foi bem enfático ao dizer:

“A história de todo dispositivo tecnológico, quando contada de forma completa, remonta às invenções mais primitivas feitas pelos habitantes das cavernas, nas primeiras eras da humanidade. Escolher qualquer ponto inicial posterior é uma restrição arbitrária de toda a narrativa. Pode-se começar a história da telegrafia sem fio com Maxwell e Hertz, porém pode-se igualmente recuar até os primeiros experimentos com a eletricidade, ou a qualquer feito tecnológico anterior que teve, necessariamente, que anteceder a construção de uma rede de rádio. Tudo isto não afeta minimamente a verdade de que cada um destes passos à frente foi dado por um indivíduo, e não por uma força atuante impessoal e mítica. Admitir que as contribuições de Maxwell, Hertz e Marconi só puderam ser feitas porque outros haviam dado outras contribuições anteriormente não diminui o seu mérito.”

Nesse ponto, não posso deixar de dizer, a importância do conhecimento ser compartilhado e difundido. A evolução do conhecimento e a inovação passa sempre por dezenas e milhares de mentes e contribuições. Acreditar que um indivíduo foi o “Criador”, ou melhor, que sem ele nada teria acontecido ou mesmo acreditar que um indivíduo trabalhando em segredo pode monopolizar todo o conhecimento é completamente equivocado. Por trás de toda inovação existe uma cadeia de condições favoráveis e de indivíduos coo participantes.

Classificada como uma das 100 invenções que mudaram o mundo segundo a revista “Poupular Mechanics”, o alicate multiuso Leatherman, lançado em 1983, é um exemplo de invenção cuja inovação passa por certas condições favoráveis. Seu criador foi o senhor Leatherman, que tinha o costume de ser escoteiro e inventou a ferramenta em suas férias, em substituição das diversas outras ferramentas que tinha que levar consigo quando acampava. Desde o lançamento, vendeu cerca de 30 milhões desse alicate por todo mundo.

Apesar de parecer uma invenção completamente de criação individual, o primeiro modelo da ferramenta foi criado em 1975 e demorou cerca de 8 anos para ser produzido em escala comercial. Ouso a dizer que se Leatherman não tivesse a sua disposição condições favoráveis de um país com um parque industrial viável, extenso e desenvolvido para produção de produtos em escala comercial, como era o caso dos EUA na época, o alicate Leatherman poderia ser uma engenhoca, uma bugiganga esquecida em um baú nos dias de hoje.

No Brasil, acompanhei de perto duas invenções que talvez não tenham enfrentado condições favoráveis para serem aperfeiçoadas e produzidas em larga escala.

A primeira é a lâmpada de Moser, brasileiro de minas gerais. A "lâmpada de Moser" surgiu durante um período de frequentes apagões de energia que o país enfrentou em 2002. "O único lugar que tinha energia eram as fábricas, não as casas das pessoas", disse a uma reportagem neste site.

A segunda invenção é de uma caminhonete movida apenas com a gordura do frango. Aquele óleo que sai das frangueiras. Também existe fabricação de biodiesel com gordura de porco. Não consegui achar um referência desse modelo em específico, mas há dois locais que você pode conferir inventos parecidos, de pessoas que estão procurando lidar com o problema da escassez que conversamos antes. Você pode conferir uma reportagem brasileira, aqui e uma estrangeira, aqui . O que confirma o mencionado anteriormente, a inovação não é fruto do zero, ou atribuição de apenas um criador. Há dezenas, centenas e milhares de pessoas pesquisando, em busca de repostas para problemas semelhantes. Há até um estudo feito pela engenheira química Carolina Rombadi Tomiello formada na USP sobre o assunto.

A própria lâmpada, não foi Thomas Edison quem inventou. Na época já existiam lâmpadas que conseguiam ficar acesas cerca de 10 minutos. Havia muita pesquisa em torno dessa invenção. Edison, conseguiu que de fato, a lâmpada permanecesse acesa por longos períodos, o que permitira sua produção em escala comercial.

As próprias lâmpadas a LED, demoraram muito a serem produzidas em escala comercial, apesar de seu principal elemento construtivo, o LED, ter sido inventado muitos anos antes.

Neste ponto é inegável deixar de mencionar que mesmo o protótipo americano, como é o caso do Leatherman de 1975, é sem dúvida muito mais profissional que a maioria das criações brasileiras que costumo ver. E você pode se perguntar por que isso acontece.

A razão principal que consigo entender para o fato está na divisão do trabalho.

“Sociedade é cooperação; é comunidade em ação. Dizer que a Sociedade é um organismo significa dizer que a sociedade é formada pela divisão do trabalho.” Este artigo do instituto Mises Brasil, detalha bem isso.

Sem a divisão do trabalho, e as especializações que esta gera para a sociedade, muitas inovações e invenções não conseguem sair do papel e quando saem, saem bem pobres. Pouco prováveis de serem produzidas em escala comercial. É aquela história, se você tem leite, mas não tem embalagem, fica difícil a comercialização.

Ainda há outras influências negativas que afetam a inovação como a propriedade intelectual, o excesso de regulamentação e a tributação sufocante.

No entanto, para não me estender muito, por tudo que aqui foi exposto, a conclusão que fica é que o conhecimento deve ser compartilhado e aberto. A difusão do conhecimento deve ser maior que o egocentrismo de apenas uma individualidade. A difusão do conhecimento é como um lei natural: aquele prende muito um conhecimento acaba ficando pra trás. A inovação é uma característica da evolução humana. Negar a inovação é negar a evolução da raça humana.

Não existe um criador ou criação única. Como Mises disse, deve existir o mérito e o reconhecimento pela criação. E mesmo quando há a criação, é natural que hajam muitos aperfeiçoamentos da invenção ao longo do tempo. É sempre um trabalho conjunto.

No próximo artigo dessa série, falarei um pouco sobre o freio que representa a propriedade intelectual e o excesso de regulamentações e tributação sufocante diante da inovação.

E como terceira parte, falarei da inovação em open-source em que os custos de pesquisa e riscos são bastante mitigados, além da facilidade de implementação ser bem maior. Tem até empresa já “abrindo seu código” em função disso.

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Wendel.