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A NBR 5410:2004 torna os dispositivos contra proteção diferencial-residual uma obrigatoriedade na instalação elétrica. A Lei Federal 11.337, de 26 de JULHO DE 2006, também torna o DPS obrigatório na instalação elétrica residencial para novas edificações. Em teoria, é isso.

Na prática, o que mais encontramos ainda é o velho "fase e neutro". Nem condutor de terra, aquele verdinho, as edificações tem (em muitos casos nem diferenciação de cores existe). Esse sistema de aterramento é conhecido tecnicamente como o famoso TN-C.

Aí, você pode me perguntar, Wendel, é o meu caso. Na minha casa só tem fase e neutro, meu prédio / casa é antigo (especificamente construído antes de 1997). Sou obrigado a colocar DR e DPS em minha casa? Então, esse artigo é para você.

Se sua edificação é antiga e o projeto inicial não previu o uso desses dispositivos, você não precisa sair quebrando tudo para poder passar condutor de terra, novos eletrodutos, dispositivo DR e DPS. Nesse caso a lei / norma não pode retroagir. É preciso que haja um entendimento que uma nova técnica, produto ou evolução tecnológia, não invalida ou torna errada as práticas e técnicas anteriores.

- Uma casa de pau à pique ainda será uma casa, mesmo depois da adoção da casa de alvenaria.

- Um computador pentium 3 750 MHz ainda será um computador, mesmo depois de se inventar um intel quad core.

- Uma instalação com sistema de aterramento TN-C não pode ser considerada errada, quando a maioria das novas instalações usa sistemas TN-S para utilização dos DR's e DPS.

- Um termômetro de mercúrio não deixa de medir temperatura por ter surgido o termômetro digital.

Sobre a obrigatoriedade

Como opinião pessoal, eu sou totalmente contra qualquer tipo de obrigatoriedade com força de lei. Em termos econômicos, isso é bem ruim. Além de encarecer a instalação, e de gerar um pico de demanda inicialmente que coloca o preço desses dispositivos nas alturas (lembre-se do caso da obrigatoriedade do extintor ABC nos automóveis até pouco tempo atrás), o consumidor é forçado a fazer a instalação desses dispositivos, não pela aplicação e pelos benefícios da tecnologia, mas pela imposição da lei na sua própria construção. Há diversos sistemas de aterramento, de instalações e a cada consumidor deveria convir um olhar diante da aplicabilidade, do custo-benefício, se responsabilizando por suas escolhas boas ou ruins.

No entanto, na prática, a obrigatoriedade só serve para definir responsabilidade ou apontar de quem é a culpa.

Vamos a um exemplo. Você, leitor, é dono de um Hotel, e um cliente seu morre devido a um choque elétrico numa tomada, seja lá em que equipamento elétrico for.

O algoritmo da investigação vai ser definido da seguinte forma:

% Como se iniciar uma investigação na engenharia elétrica?

------------------------------XXXXXXX-----------------------------------------------
1a rotina de investigação

O Engenheiro Wendel previu em seu projeto o uso de DR?

Se não, a culpa é do Wendel e ele responderá criminalmente por isso.

Se sim, interrogue o dono do estabelecimento.

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2a rotina de investição

Dono do estabelecimento, você seguiu a orientação do seu Engenheiro, colocando o DR na instalação elétrica do seu Hotel?

Se sim, verifique o ponto específico da ocorrência do choque elétrico e verifique se foi falha do dispositivo.

Se não, o dono do estabelecimento responde criminalmente por sua negligência.

-------------------------------------------------------------------------------------
3a rotina de investigação

O falecido segurou uma parte viva protegida pelo DR?

Se sim, o fabricante será acionado pela falha no equipamento.

Se não, a culpa foi do falecido por brincar ou não estar tecnicamente habilitado a mexer em quadros energizados, partes vivas, entre outros casos...


O que é o dispositivo DR?

O exemplo anterior mostra que o dispositivo DR (diferencial-residual) protege as pessoas contra o risco de choque elétrico. Esses dispositivos ainda tem um benefício para o caso de instalações antigas, detectam correntes de fuga da sua instalação. E por que o seu eletricista não fica feliz com isso? O grande problema técnico enfrentado pelos eletricistas na instalação do DR, quando a edificação é mais antiga, está no fato de o DR toda hora desarmar quando na instalação elétrica há indícios de corrente de fuga.

A particularidade da corrente de fuga

Se existe vazamento em tubulações de água e esgoto, a corrente de fuga seria o análogo mais próximo disso. A corrente de fuga é como um vazamento de corrente de uma fase que pode estar encostando com sua parte viva em alguma carcaça, quando o eletroduto é de ferro (eletrodutos mais antigos), pode ser que se tenha fuga de uma parte viva da fase com o mesmo. Até mesmo pode ser uma emenda mal feita a causa da corrente de fuga.

Se você,leitor, é eletricista ou mesmo estudante do assunto e estiver interessado em saber como detectar corrente de fuga deixe seu comentário. Nos comentários a gente bate um papo. =D


Quais dispositivos DR's existem no mercado?

Pode ser que ao tentar comprar um DR, o consumidor se assuste um pouco com a diversidade de nomes, especificações que existem no mercado. Para isso tentarei ser o mais claro possível.

Questão de nomenclatura: IDR, DR ou DDR?

O DR e o IDR (Interruptor diferencial-residual) são o mesmo componente. Tem a função apenas de interruptor. Ao detectar corrente de fuga o interruptor diferencial residual atuará no sistema.

 

O DDR ou Disjuntor DR tem a função tanto de interruptor diferencial residual quanto de disjuntor. Veja a figura abaixo:

 

 

Modelos de 30 mA para corrente de fuga são usados para proteger pessoas contra choques elétricos. Modelos acima disso como os de 100 mA são usados para proteger a instalação, o patrimônio e até mesmo de incêndios já que correntes de fugas muito altas podem provocar arcos elétricos que podem causar incêndios.

No caso do Disjuntor DR (DDR), além de ter a especificação da corrente de fuga (30 mA, 100 mA...) tal como o interruptor DR, claramente, ele está marcado com a corrente máxima nominal, neste caso 63 A, muito comum encontradas nos disjuntores comuns.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Como é o esquema de ligação de um disjuntor DR?

O disjuntor DR ou Interruptor DR deve ser ligado em série com o disjuntor (se tiver), ou ligado em série com os circuitos da instalação, veja na figura abaixo no caso do disjuntor DR tretrapolar:

 


Vale a pena ter DR?

É claro que dependerá do modelo e da sua instalação, mas um disjuntor DR (DDR) varia em torno de R$ 150,00 a R$ 400,00. Na média considerarei R$ 275,00.

Dados da Abracopel sugerem que 822 casos de acidentes com eletricidade, dos quais 627 foram fatais, ocorreram em 2015. Esse número pode parecer muito, mas não é. Considerando que somente 188 mortes ocorreram em ambiente residencial, onde o tal do DR é obrigatório, e não estou contando com separação entre categorias de pedreiros, eletricistas, curiosos, profissionais de empresas, entre outros.
Ainda insistindo nas 627 mortes por choque elétrico em 2015, esse número representa cerca de 0,09 % do total de óbitos em 2013 (Fonte: INCA). Morre mais gente por acidente automobilístico, Câncer de mama e próstata, por gripe comum, AVC, Infarto, do que por choque elétrico. Veja o gráfico:


Olhando por esse lado, como defendi no início do artigo, não vejo o porque de toda essa obrigatoriedade. Deveria ser sim, facultado o uso do DR, não obrigatório. É minha humilde opinião. Mas vejamos se vale a pena instalar um DR na sua casa.

Diga-me sua faixa de consumo. Você me diz? Vale a pena?

Faixa de Consumo Preço Energia / Ano Custo do DR em relação ao preço da energia
Até 100 Kwh / mês R$ 840,00 32,74%
Até 200 Kwh / mês R$ 1.680,00 16,37%
Até 400 kwh / mês R$ 3.360,00 8,18%
Até 600 khw / mês R$ 5.040,00 5,46%

O que é o dispositivo DPS?

O DPS é um dispositivo de proteção contra surtos. Surtos de tensão são provocados por raios gerando uma sobretensão na rede quando ocorre incidência de raio na linha ou quando o raio ocorre próximo a ela. Essas sobretensões possuem frente de onda bem rápidas podendo queimar equipamentos eletroeletrônicos em segundos. Como o sistema elétrico é um sistema dinâmico também podem surgir sobretensões na rede proveniente de manobra da concessionária ou fornecedor de energia.

Estima-se que cerca de 60 milhões de raios incidiram no Brasil em 2010. É bastante raio. Se não me engano o Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo. Usar o DPS, é uma questão a se pensar e, novamente, se não fosse a obrigatoriedade da norma, eu não usaria o DPS em alguns casos.

Os casos urbanos, onde há bastante edificações com sistemas de pára-raios em torno da edificação seria um desses casos. Na rede da concessionária é que deveriam ser instalados, se não é (não consegui informação quanto a obrigatoriedade), dispositivos contra surto de tensão proveniente de descargas atmosféricas e manobras no sistema.

Mas o fato é que ninguém quer ver o seu computador Gamer, TV LED 4K , sua Geladeira Frost Free, entre outros eletroeletrônicos caros, queimando por causa de uma chuvinha, ou porque uma árvore caiu na rede elétrica e interrompeu um circuito em que seu desligamento cause sobretensões ou subtensões nos circuitos adjacentes (que pode ser o seu).

Portanto, eu recomendo a utilização do DPS, é bastante útil este dispositivo para mim que estou sempre com o computador ligado e tudo mais. Uma fonte minha de computador já queimou por conta de surto de tensão, então fica a dica.

Qual o esquema de ligação do DPS?

O DPS deve ser ligado em paralelo ao DR. O princípio de funcionamento do DPS é, na verdade, como de um varistor comum. Quanto maior a tensão sobre um varistor, menor é a resistência elétrica fornecida para passagem de corrente. Fazendo uma analogia aos sistemas hidráulicos, o DPS seria como um dreno para sobretensões de energia de modo a evitar a queima dos seus aparelhos eletroeletrônicos da edificação. Por isso, o DPS deve ser ligado independente para cada fase , bem como o neutro. Na saída do DPS, de cada fase e neutro, deve ser ligado o condutor terra para proporcionar o "dreno" de energia em caso de sobretensões.

 

Vale a pena ter DPS?


Como foi visto, o DPS deve ser ligado em todas as fases, bem como neutro do circuito, por conta disso, numa instalação comum trifásica, esse sistema custa em torno de R$ 400,00.

Se você tiver muitos equipamentos dentro de casa, o que é 400,00 reais pra proteger sua geladeira, TV's 4K, computadores, entre outros? Sem falar em não ter a preocupação de estar na rua e seu servidor estar ligado na sua casa, ou sua geladeira / frezer e você estar preocupado em queimar os eletroeletrônicos da sua casa. Portanto, para mim, o DPS vale muito a pena e você deveria prestar mais atenção nele.

 

Por hoje, fico por aqui. 

Grande Abraço,

Wendel.

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