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Sou Engenheiro Eletricista, e ultimamente tenho visto muita demanda e muita gente perguntando sobre os sistemas fotovoltaicos residenciais. Geralmente o perfil de clientes que estão consumindo na faixa dos 200 kWh a 800 kWh/mês, querem reduzir suas contas de luz e sempre me perguntam sobre essa fonte de energia. Se você se encaixa nesse quadro, esse artigo foi feito para você.

 

Quem já foi a Europa, principalmente Alemanha, deve ter notado que o parque gerador solar de lá chama atenção. Aqui essa matriz energética ainda é bem tímida. Na verdade, pouco vemos placas solares em prédios ou casas (pelo menos no Rio de Janeiro, minha cidade, eu quase não vejo).

Uma das vantagens do Brasil é que a geração hidrelétrica, a geração eólica, e a Solar tem um bom potencial gerador por aqui e, além disso, essas fontes tem a grande vantagem de não utilizarem combustíveis fósseis. Do ponto de vista ecológico é bom e do ponto de vista econômico é melhor ainda (Já que não é preciso gastar com combustível para a geração). No entanto, para o caso da Energia Solar, deve ser levado em conta o custo de aquisição de equipamentos, vida útil destes, além de eventuais custos de ligação com a rede da distribuidora de energia elétrica local.

Vou tentar explicar bem direitinho para que as informações por aqui sejam úteis e bem transparentes. Se ficar alguma dúvida, pode ir lá nos comentários que a gente bate um papo.

A RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 482, DE 17 DE ABRIL DE 2012, é a resolução que estabele as condições de microgeração e minigeração para sistemas fotovoltaicos, dentre outras formas de geração distribuída.

São microgeradores, no caso da energia solar, aqueles que possuírem potência instalada menor ou igual a 75 kW e estiverem conectados na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras.

São minigeradores no caso da energia solar, aqueles que possuírem potência instalada superior a 75 kW e menor ou igual a 5 MW e estiverem conectados na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras.

O limite de potência instalada de microgeradores e minigeradores já sofreu alterações desde 2012 e pode sofrer alterações após este artigo. Esses dados fornecidos acima foram publicados em 2015, segundo Redação dada pela REN ANEEL 687, de 24.11.2015.

A diferenciação das categorias se dá muito por conta das reponsabilidades exigidas que estão no artigo 5 desta resolução:

- Os custos de eventuais melhorias ou reforços no sistema de distribuição em função
exclusivamente da conexão de microgeração distribuída não devem fazer parte do cálculo da
participação financeira do consumidor, sendo integralmente arcados pela distribuidora. (Incluído pela REN ANEEL 687, de 24.11.2015.)

- Os custos de eventuais melhorias ou reforços no sistema de distribuição em função
exclusivamente da conexão de minigeração distribuída devem fazer parte do cálculo da participação financeira do consumidor. (Incluído pela REN ANEEL 687, de 24.11.2015.)

Na prática, o que isso quer dizer, é que se a rede elétrica da distribuidora não for capaz de absorver a energia que você está produzindo, por n motivos técnicos, que não vou entrar no mérito, você como microgerador, a concessionária terá que tomar as medidas cabíveis e arcará com os custos disso. Se você for minigerador, você terá que arcar esses custos de melhorias ou reforços da rede para poder começar a gerar energia nela.

Um ponto importante a frisar, que está também nesta resolução, é que você estando enquadrado como microgerador ou minigerador, você nunca ganhará dinheiro com isso. Você não ganhará dinheiro da concessionária gerando energia fotovoltaica na sua casa. Apenas são considerados um "Sistema de compensação de energia elétrica" que funciona da seguinte forma, conforme inciso III do art. 2:

Sistema de compensação de energia elétrica: sistema no qual a energia ativa injetada por unidade consumidora com microgeração ou minigeração distribuída é cedida, por meio
de empréstimo gratuito, à distribuidora local e posteriormente compensada com o consumo de energia elétrica ativa;

Isso quer dizer que os micro e minigeradores terão até 60 meses para consumir, ou seja, descontar de tarifas posteriores, a energia que produziram. Caso não consumam tudo nesse período, dá vontade até de rir, sua energia produzida, ou melhor, seus créditos obtidos, serão absorvidos pelo sistema e contribuirão para a modicidade tarifária.

Portanto, se você está pensando em reduzir sua conta de energia, este tipo de sistema pode ser uma boa. No entanto, se a economia gerada por mês, for inferior ao custo de aquisição do equipamento e custo de conexão à rede da distribuidora, sinto informar que esse tipo de energia pode ser inviável para você, consumidor.

Nos sistemas On-grid, ou seja, conectados a rede da distribuidora (ou que não usam bateria para armazenar a energia gerada), sua conta de energia também nunca será R$ 0,00, mesmo que você seja autossuficiente em energia Solar (Energia consumida = Energia Gerada). Dado que ainda sim é cobrado pela distribuidora a tarifa do custo de disponibilidade, aplicada aos consumidores do grupo B (baixa tensão);

Portanto, a pergunta que se faz agora é: Investir em Energia Solar para consumo próprio traz algum retorno?

(Se você não desistiu até aqui, o prosseguimento deste artigo ficará para parte 2, mas por hora, acho que muita da parte regulamentadora / burocrática foi esclarecida com este artigo)

Eu gostaria de continuar, mas falta tempo, se você gostou do site considere fazer uma doação ou anunciar em nosso site (é através do patrocínio que consigo manter este site vivo, ainda mais nesse período de crise que estamos passando).

Bem,
Por hoje é isso, pessoal.

Grande Abraço,
Wendel.