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Atenção: Com o novo RECON-LIGHT de Novembro de 2016 - alguns dados expressos aqui podem estar imprecisos. Sempre confirme os dados e as tabelas diretamente no RECON-Light-BT mais atualizado possível.

Primeira parte de Palestra feita na ETERJ - Escola Técnica do Rio de Janeiro, dia 30 de maio de 2016.

Darei continuidade a esta série a medida que for aparecendo tempo. Se houver algum colaborador ou doador do site que esteja interessado no assunto, por favor, entre em contato que darei prioridade a esta série. Caso ocorra qualquer dúvida, se você é do Rio de Janeiro, o RECON-BT da Light é o melhor documento para saná-la. Consulte os regulamentos da sua concessionária local.


1 – Introdução

O Padrão de Energia Elétrica ou Padrão de Entrada de Energia Elétrica é um tema pouco desenvolvido na literatura especializada. Isso se dá por conta de cada concessionária ter normas próprias para instalação e aprovação do padrão de entrada. Na Light S.A, concessionária de energia elétrica do Rio de Janeiro, este documento é chamado de RECON-BT (Regulamentação para fornecimento de energia elétrica a consumidores em Baixa Tensão). Neste trabalho, será desenvolvido aspectos relacionados aos tipos de instalação do padrão de entrada, ao cálculo de carga e demanda e, por fim, a seleção de materiais que serão utilizados para correta instalação de um padrão individual residencial em baixa tensão.

 

2 – O que é Padrão de Energia Elétrica?

O Padrão de Entrada é o conjunto de instalações composto de caixa de medição, sistema de aterramento, condutores e outros acessórios indispensáveis para que a concessionária possa fazer a ligação para o fornecimento de energia elétrica. Na instalação do padrão de entrada, há diversos tipos de padrão de entrada, cada um varia de acordo com as características do terreno e da edificação. Deve-se adotar o melhor modelo sempre tendo em vista o emprego da caixa de medição no limite da propriedade, voltada diretamente para a via pública. A figura 1, ilustra um exemplo de padrão residencial monofásico.

Figura 1 – Padrão residencial monofásico – exemplo (acervo do autor).

No entanto, para casos, onde não é possível este tipo de arranjo, o item 14.1 do RECON LIGHT – BT estabelece:

“ Para os casos onde comprovadamente não haja viabilidade técnica (sem parede frontal, por exemplo) para emprego da caixa de medição no limite da propriedade, voltada diretamente para a via pública, esta poderá ser instalada no interior da propriedade, desde que instalada em recuo técnico (nicho) ou gabinete em alvenaria e fique a no máximo 1 (um) metro de distância do limite da propriedade com a via pública.”

2.1 – Posição da edificação em relação a rede

Antes de começar a escolher o tipo de padrão de entrada, deve-se atentar se a rede aérea da concessionária fica do lado oposto ao imóvel ou se fica do mesmo lado do imóvel. A figura 2, explicita melhor essa condição:

Figura 2 – a) Rede aérea da concessionária fica do mesmo lado do imóvel b) rede aérea da concessionária fica do lado oposto ao imóvel. (Acervo Light S.A)

 

2.2 – Tipos de Padrão de Entrada

A Light S.A prevê quatro tipos principais de padrão de energia elétrica que variam conforme sua disposição e ponto de ancoramento.

2.2.1 – Ancorado em Pontalete

O Pontalete é um suporte, geralmente de aço, situado na edificação do consumidor, com a finalidade de fixar e elevar o ramal de ligação. O uso do Pontalete em detrimento ao uso do poste se dá melhor quando a edificação fica do mesmo lado da rede aérea da concessionária, como visto no item 2.1.

Figura 3 – Padrão de Energia ancorado em Pontalete (Figura retirada de acervo da Light S.A)

2.2.2 – Ancorado em Poste Junto ao Muro

Neste caso, faz-se uso da armação vertical com cinta BAP para ancoramento do Ramal Aéreo de Ligação junto ao poste. A caixa de medição de medição geralmente fica embutida em estrutura (cabine) de alvenaria junto ao muro.

Figura 4 – Padrão de Energia ancorado em poste junto ao Muro (Figura retirada de acervo da Light S.A)

2.2.3 – Ancorado em Poste Junto à Cerca

Caso parecido com o anterior, com ancoramento em poste. No entanto, atenta-se para a caixa de medição voltada para rua e fixada junto ao poste.

Figura 5 - Padrão de Energia ancorado em poste junto à cerca (Figura retirada de acervo da Light S.A)

2.2.4 – Ancorado na Fachada do Imóvel

Há a instalação da armação vertical com isolador junto a fachada e embutimento de eletroduto de passagem e caixa de medição na parede. Este tipo de padrão também é muito comum quando a rede aérea da concessionária fica do mesmo lado do imóvel.

Figura 6 - Padrão de Energia ancorado na fachada do imóvel (Figura retirada de acervo da Light S.A)

 

2.3 – Por que devemos nos preocupar tanto com o ponto de Ancoramento?

O ponto de ancoramento é crucial para uma adequada conexão do ramal aéreo da concessionária com o poste. Há distâncias mínimas, conforme item 19.1.3 do RECON-BT Light S.A, que devem ser respeitadas. Por exemplo, se a rede da concessionária de energia estiver do outro lado da rua onde o imóvel está localizado, deve-se respeitar a altura mínima de 5,50 metros para garantir a passagem de carros, ônibus, caminhões e carretas na rua / avenida. Também deve-se atentar para o comprimento do ramal de ligação entre o poste da concessionária e o poste do padrão de entrada do consumidor. Não se deve ultrapassar o vão de 30 metros de distância para Demanda de até 33,1 kVA nas instalações trifásicas. A figura 7,abaixo, retirada de documento da Ceripa, ilustra bem o caso:

 

Figura 7 - O ramal de ligação aéreo deve estabelecer distâncias mínimas e, neste aspecto, o ponto de ancoramento é muito importante para garantí-las.(Acervo Ceripa)

 

2.4 - Aspectos relacionados ao Poste de Energia

Caso o projeto de instalação de padrão de entrada de energia elétrica preveja a instalação de poste, é necessário se ater aos seguintes aspectos:

Saber qual a carga (força) um poste suporta em daN (decaNewton). Lembrando que:

1 daN = 10 N = 1,02 Kp = 1,02 kgf


Para facilitar o trabalho, na tabela da figura 8 abaixo do RECON-BT Light S.A vem explicando a carga nominal do poste de 6 metros e de 7,5 metros em daN de acordo com o nível de demanda da instalação do padrão.

Figura 8 – Carga nominal do poste e distância do vão segundo RECON-BT Light.

2.4.1 – Tipos de Postes

Na compra dos postes, assim como na compra das demais peças, e em conformidade com documento RECON-BT da Light S.A, ao sistema de distribuição da Light S.A, somente podem ser conectadas instalações de entradas individuais ou coletivas construídas com equipamentos e materiais de fabricantes que tenham seus produtos fabricados em conformidade com as normas técnicas brasileiras e que sejam previamente validados pela Light.

Assim, encontramos dois tipos de postes no mercado:

2.4.2 – Poste de Aço

O Poste de Aço possui a grande vantagem de ser mais leve que o poste de concreto. Geralmente é cerca de 60% a 80% mais leve, facilitando a instalação e o engastamento do mesmo. Na instalação, deve-se conectar o fio terra na base do poste para realizar seu adequado aterramento.

Figura 9 – Modelo de poste de aço, padrão AES EletroPaulo, de 7,5 metros, possui apenas 90 Kg. É muito mais leve do que o poste de concreto.
Geralmente, quando sua destinação é o padrão de energia, é encontrado no mercado no tamanho de 6 metros ou 7,5 metros. Deve-se usar o poste de aço de 6 metros para edificações que estão do mesmo lado da rede aérea da concessionária, assim como, deve-se usar o poste de aço de 7,5 metros quando a rede aérea da concessionária for do lado oposto ao imóvel, assim como explicado no item 2.1 deste relatório.

2.4.3 – Poste de Concreto

Os postes de concreto são mais pesados e podem chegar a quase 1.000 Kg de peso. Salvo em casos onde não há viabilidade técnica, geralmente são instalados com caminhão tipo MUNK.

Figura 10 – Poste de Concreto para padrão de energia.

São encontrados no mercado nos tamanhos de 6 metros, 7 metros e 7,5 metros. Os de 6 metros são usados quando a rede aérea da concessionária  está do mesmo lado do imóvel, os tamanhos de 7 e 7,5 metros são usados quando a rede aérea da concessionária está do lado oposto ao imóvel conforme explicitado no item 2.1 deste relatório.

2.4.2 – Como fazer o engastamento?

O engastamento do poste é o embutimento do mesmo no piso, de modo a se evitar movimentos de translação e rotação que caracterizam o poste como “bambo”, “envergado”, “torto”, mal fixado ou fora do plumo de acordo com os diversos jargões da construção civil.

Conforme foi visto, para padrão de energia elétrica, há postes de 6 metros, 7 metros e 7,5 metros.

A Light S.A no item 14.8 do RECON-BT, estabelece:

“O poste de aço deve ser engastado com base concretada com diâmetro de 27 cm e profundidade de 1 m para postes de 6 metros e diâmetro de 14 cm e profundidade de 1,35m para postes de 7,5 metros”.

A Light S.A não estabelece a profundidade para poste de 7 metros, no entanto, geralmente se assume como boa prática da engenharia, a seguinte fórmula para se chegar ao engastamento do poste:

P = 10% A + 60 cm (1)

Onde “P” representa a profundidade para engastamento do poste e “A” a altura do poste. Assim, para um poste de 7 metros, aplicando a fórmula, teríamos a profundidade para engastamento do poste de 1,30 metros.

Figura 11 – Vista Frontal e Superior da medida da base para engastamento de poste de 6 metros segundo RECON-BT Light S.A – medida em centímetros (Acervo do Autor)

Deve-se atentar, que não é somente fazer a base do poste, colocar o poste na base feita e depois concretar. Há casos, em que conforme se procede a escavação, vai surgindo água ou a terra fica bastante úmida. Neste caso, deve-se recomendar ao cliente contratante do serviço de padrão de energia que se contrate um profissional para fazer melhor estudo do solo e do concreto armado a ser utilizado para o engastamento.

Na prática, quando não há muitos recursos, são colocadas sapatas (tipo de fundação feita com armação de aço / vigas de fundação e concreto) antes de se engastar o poste de modo ao poste não ser “engolido” pela terra ou que fique inclinado, fora do plumo, com o tempo após a instalação do mesmo.

Em casos onde há inviabilidade técnica ou onde o caminhão MUNK não chega, seja por conta do local da instalação do padrão de energia elétrica ser distante, seja em regiões serranas ou por qualquer outro impedimento técnico, geralmente é feito o engastamento do poste de modo manual. Neste caso é recomendado a utilização do poste de aço por ser mais leve e a instalação do poste base de profundidade de 1,00 m (Poste de 6 metros) ou de 1,35 m (Poste de 7,5 metros) será facilitada ser for feita uma rampa de 45 ° graus entre a superfície e o fundo da vala, de modo que se tenha maior controle do ancoramento e instalação do poste em sua base, conforme figura 12, abaixo:

Figura 12 – Método da rampa de 45 º para melhor instalação do poste de modo a garantir maior segurança (Vista Frontal e Superior).
Atenção, por conta de seu peso, a colocação manual de poste é uma atividade perigosa que pode causar acidentes. É recomendado fazer uma avaliação do risco eminente e fazer um certo planejamento, dando ciência não só ao profissional, como também aos ajudantes que farão o engastamento do poste. A utilização de sistemas mecânicos como talhas, roldanas, cabos de aço e alavancadas, de modo a reduzir o peso, deverá sempre ser levado em consideração na suspensão do poste.
Como continuação deste artigo, estarei comentando como fazer o cálculo de carga e demanda para padrão de entrada residencial.Grande Abraço,Wendel (@wendelrj