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Este artigo é uma continuação desses dois artigos anteriores, hoje estarei falando sobre principais materiais utilizados em um padrão de energia, sistemas de aterramento, eletrodutos, caixas de medição e de disjuntor e, com isso, terminará nossa série introdutória sobre padrão de energia.

Atenção: Com o novo RECON-LIGHT de Novembro de 2016 - alguns dados expressos aqui podem estar imprecisos. Sempre confirme os dados e as tabelas diretamente no RECON-Light-BT mais atualizado possível. 

 

4 - Outros materiais a serem utilizados no Padrão de Energia

Em artigo anterior, conforme figura 16 presente no RECON-BT Light S.A, foi visto que a Light dá o dimensionamento e a relação de alguns materiais a serem utilizados. Dependendo do tipo de padrão de entrada a ser utilizado, alguns outros materiais merecem destaque para perfeita execução do serviço de instalação de um padrão de energia. São eles:

 

 

 

 

 

4.1 - Armação vertical para poste

A armação vertical para poste é usada para ancorar o ramal de ligação aéreo no poste de modo a manter critérios de distância mínima em relação ao solo.

 

Figura 17 – Armação vertical para poste com isolador roldana

4.2 - Cinta BAP

Cinta utilizada para fixação da armação vertical no poste. Para postes de padrão de energia (6, 7 ou 7,5 metros), os tamanhos comumente utilizados são 110 mm, 120 mm e 130 mm.

Figura 18 – Cinta para padrão de energia

4.3 - Buchas e Arruelas

Buchas e Arruelas são comumente utilizadas para fixação dos eletrodutos nas caixas de medições e nas caixas dos disjuntores.

Figura 19 – Bucha e Arruela

4.4 - Caixa de Aterramento e haste de aterramento

A caixa de aterramento é utilizada para proteção mecânica do sistema de aterramento. Um dos seus elementos principais é a haste de aterramento, ou eletrodo de aterramento que segundo RECON-BT Light deve, obrigatoriamente, ser empregada haste de aço cobreada com comprimento de 2,40 metros e diâmetro de 5/8”.

Um dica importante utilizada é o uso de uma escora de madeira com marreta para fixação da haste no solo. Caso, o solo esteja muito rígido para realização do procedimento, deve-se fazer uma solução de água e sal grosso e jogar no local de aterramento, de modo, a facilitar a instalação da haste.

Figura 20 – Caixa de aterramento e Haste de aterramento

4.5 - Conector de Aterramento

Conecta, a um mesmo potencial de terra, a haste de aterramento e o condutor de aterramento.

 

Figura 21 – Conector de Aterramento

4.6 - Conectores à Pressão Parafuso Fendido (Split Bolt)

O conectores à Pressão Parafuso Fendido, tipo “Split Bolt”, é usado, no sistema de aterramento do tipo TN-S, para unir os condutor de neutro e terra na entrada do padrão de energia.

 

Figura 22 – Conector tipo Split Bolt

 

4.7 – Cabo condutor


De acordo com o RECON-BT Light S.A, os condutores devem ser em cobre com classe de encordoamento nº 2 e classe de tensão de 0,6/1 kV. Quanto ao tipo de isolamento, o mesmo poderá ser em PVC 70° C antichama, com baixa emissão de fumaça, XLPE ou EPR 90º C considerando a aplicação e o tipo de ocupação, se em eletroduto, eletrocalha sem ventilação etc. Outras classes de encordoamento podem ser utilizadas pelo responsável técnico contratado pelo Consumidor desde que utilizados conectores terminais de compressão de fabricantes previamente validados pela concessionária Light.

O esquemático da figura 23 abaixo, explica melhor a classe de encordoamento n° 2:

Figura 23 – Classe de encordoamento exigida pelo RECON-BT Light é o n° 2.

4.8 – Arame Galvanizado

O Arame Galvanizado é frequentemente utilizado para fixar e prender os eletrodutos em poste quando o ramal de ligação é aéreo.

5 – Instalação do Padrão

Após o dimensionamento dos materiais, é preciso escolher um modelo de padrão de energia que melhor se adéque as características do terreno, da edificação e do projeto. Far-se-á destaque em 4 desses modelos que são compatíveis com os tipos de padrão de entrada explicitado no item 2.2 dos artigos desta série e que estão contidos no RECON-BT da Light S.A.

Modelo 1 - Ramal de ligação aéreo com ancoramento na fachada e caixa de medição semi-embutida na fachada. Rede aérea de distribuição - Caixa para medição semi-embutida na fachada e caixa do disjuntor de proteção voltada para a parte interna da propriedade. Ligações com demanda até 66,3 kVA.

Figura 24 - Ramal de ligação aéreo com ancoramento na fachada e caixa de medição semi-embutida na fachada (RECON-BT Light).

Modelo 2 - Ramal de ligação aéreo com ancoramento em pontalete e caixa de medição semi-embutida na fachada. Rede aérea de distribuição - Caixa para medição semi-embutida na fachada e caixa do disjuntor de proteção voltada para a parte interna da propriedade. Ligações com demanda até 66,3 kVA.

Figura 25 - Ramal de ligação aéreo com ancoramento em pontalete e caixa de medição semi-embutida na fachada. (RECON-BT Light).

Modelo 3 - Ramal de ligação aéreo com ancoramento em poste particular e caixa de medição no recuo técnico no muro. Rede aérea de distribuição - Caixa para medição instalada em recuo técnico, no muro e caixa do disjuntor de proteção voltada para a parte interna da propriedade. Ligações com demanda até 66,3 KVA.

Figura 26 - Ramal de ligação aéreo com ancoramento em poste particular e caixa de medição no recuo técnico no muro (RECON-BT Light). 

Modelo 4 - Ramal de ligação aéreo com ancoramento e caixa de medição em poste particular. Rede aérea de distribuição - Caixa para medição e caixa do disjuntor de proteção no poste particular. Ligações com demanda até 66,3 KVA.

Figura 27 - Ramal de ligação aéreo com ancoramento e caixa de medição em poste particular.

 

Outros exemplos e modelos podem ser consultados no RECON-BT Light. Como observação, o profissional habilitado pode fazer seu próprio modelo ou exemplo de acordo com os requisitos de projeto. No entanto, estes terão que ser submetidos a aprovação da Light S.A antes de serem instalados e antes de solicitação de Ligação nova ou Aumento de carga junto a concessionária.

5.1 – Aterramento

Em padrões de energia antigos, vemos muitas instalações com aterramento do tipo TN-C, onde o condutor de neutro e proteção (PEN) são combinados em um único condutor por toda a instalação. O esquema de ligação, retirado da norma ABNT NBR 5410, pode ser visto abaixo:

Figura 28 – Sistema de aterramento TN-C (conforme NBR 5410:2004).

No entanto, atualmente, para contemplar a proteção diferencial residual e para contemplar a eficácia de dispositivos de proteção do tipo DPS, itens atualmente obrigatórios pela NBR 5410:2014 e pela Lei Federal n° 11.337, de 26 de JULHO DE 2006,respectivamente, conforme item 13.2 do RECON-BT da Light, o sistema de aterramento praticado pela norma da concessionária Light S.A é o sistema de aterramento TN-S, onde os condutores de neutro e de proteção são interligados e aterrados na malha de terra principal da edificação, junto à proteção geral de entrada que também, quando for o caso, deve-se contemplar proteção diferencial residual.

Figura 29 – Sistema de Aterramento TN-S (conforme NBR 5410:2004).

 

Portanto, a não ser que a instalação necessite utilizar outro tipo de sistema de aterramento, em que o projeto deve ser submetido e aprovado pela Light S.A, para usar o DR e o DPS, que agora são itens obrigatórios, em instalações novas, deve ser usado o sistema de aterramento TN-S no padrão de energia. No Padrão de Entrada, então, terá um condutor de terra e um condutor de neutro independentes, apenas interligados em um único ponto que será no padrão de entrada. Geralmente essa conexão do condutor neutro, com o condutor de proteção é feita via conector de pressão ( do tipo “split bolt”).

5.2 – Armação Vertical

Deve-se atentar que a altura correspondente da armação vertical do poste não pode ficar muito abaixo de modo a infringir a distância mínima entre o piso e o ramal aéreo de ligação conforme comentado no item 2.3. No RECON-BT da Light, não há nada relacionando a distância de instalação da armação vertical em relação ao topo do poste. No entanto, algumas concessionárias, como a Cemig, em Minas gerais, recomendam a instalação da armação vertical com a roldana a 10 centímetros no topo do poste. É recomendável que se use uma Cinta tipo BAP no tamanho de 110 mm, 120 mm ou 130 mm para sua fixação dependendo do poste.

5.3 – Eletrodutos

Conforme RECON-BT da Light S.A, o eletroduto para padrão de energia elétrica pode ser Rígido em PVC ou Flexível. Conforme texto do RECON-BT:

“Destina-se a proteção mecânica dos condutores do ramal de entrada. Deve ser utilizado eletroduto não propagante de chama, resistente a UV etc. conforme especificações técnicas contidas nas NBR’s 5410 e 15465.”

“No atendimento através de ramal de ligação ligação aéreo, aéreo o condutor do ramal de entrada deve ser protegido por eletroduto rígido em PVC na descida do ponto de ancoragem no poste particular, pontalete ou na fachada até a medição (entradas individuais) ou até a proteção geral de entrada (entradas coletivas).”

“No caso de atendimento através de ramal de ligação subterrâneo, subterrâneo o condutor do ramal de entrada deve ser protegido por eletroduto rígido em PVC ou flexível de polietileno de alta densidade, do limite da propriedade até a medição (entradas individuais) ou até a proteção geral de entrada (entradas coletivas).”

Portanto, eletroduto para ramal aéreo somente eletroduto rígido em PVC e para ramal subterrâneo pode ser usado o eletroduto flexível de polietileno de alta densidade.

Figura 30 – Tipos de eletrodutos aceitos pela Light S.A – Eletroduto rígido em PVC (para ramal aéreo e subterrâneo) e Eletroduto flexível de polietileno de alta densidade (para ramal subterrâneo).

5.4 – Caixa de Medição

Dependendo do tipo de padrão de entrada, a caixa de medição do padrão pode ser Metálica ou Polimérica, conforme figura 31 e figura 32, respectivamente. A escolha quanto ao tipo e ao modelo varia de acordo com a categoria de atendimento conforme Figura 16.

Figura 31 – Caixa de Medição Metálica

Figura 32 – Caixa de Medição Polimérica com caixa para disjuntor polimérica

Como observação principal, é que se a caixa de medição for metálica, a mesma deve ser devidamente aterrada e ter proteção contra as intempéries ( Chuva, Neve, raios UV, etc…).

Uma observação importante presente no item 14.1 do RECON-BT da Light, é dada a seguir:

“Para os casos onde comprovadamente não haja viabilidade técnica (sem parede frontal, por exemplo) para emprego da caixa de medição no limite da propriedade, voltada diretamente para a via pública, esta poderá ser instalada no interior da propriedade, desde que instalada em recuo técnico (nicho) ou gabinete em alvenaria e fique a no máximo 1 (um) metro de distância do limite da propriedade com a via pública.”

5.5 – Caixa para disjuntor

O modelo da caixa para disjuntor também varia de acordo com a categoria de atendimento expressa na Figura 16. Quanto ao Disjuntor Geral do padrão de entrada, pode ser usado tanto o padrão DIN quanto o padrão NEMA, desde que a Caixa para disjuntor especificada no projeto suporte os padrões de disjuntores citados.

5.6 – QDC

O Quadro de distribuição de circuitos, também conhecido como QDG, quadro de distribuição Geral abrigará os dispositivos DR e DPS, conforme explicados no item 5.1d. No RECON-BT Light não há nenhum indicativo de que a luz não possa ser ligada , caso a edificação ainda não tenha QDC (solicitação muito comum do cliente quando está construindo a edificação, ou seja, “ligar a luz” sem presença de QDC, apenas de disjuntor Geral).

É sabido, mesmo que de maneira informal, que alguns engenheiros e técnicos dizem que algumas concessionárias como a Coelce e Coelba, ligam a energia se o Padrão estiver ligado corretamente até o disjuntor Geral (Sem o QDC ter sido feito ou instalado em função de obra ainda inacabada).

No RECON-BT Light, há somente uma indicação de ligação provisória em caso de obra ou festa.

Portanto, caso seja pedido a instalação de um padrão sem QDC, é recomendável consultar a Light de forma a esclarecer se a ligação nova será realizada sob essas condições.

6 - Conclusão

Portanto, é possível concluir que esta série de artigos mostram apenas uma metodologia percorrendo pelos assuntos de definição e tipo de padrão de energia, relação de materiais, metodologia de cálculo de carga e demanda para padrão de entrada residencial, entre outros assuntos abordados. Não é a metodologia definitiva, há outras, e cada uma varia de acordo com a preferência e experiência de cada profissional. O assunto tem desdobramentos para diversos tipos de instalações e projetos elétricos, aqui se faz apenas uma introdução sobre o tema.

Para outros assuntos e melhor detalhamento técnico recomenda-se sempre ler o RECON-BT para evitar possíveis transtornos e reprovas na instalação do padrão de entrada de energia elétrica.

Grande Abraço,

Wendel (@wendelrj).