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A presente falha ocorreu no raiar da noite, fora do horário comercial, numa ligação telefônica de emergência endereçada a mim. A descrição do cliente era que o disjuntor geral estava desarmando e que, por isso, sua casa estava sem energia. Que já havia trocado o disjuntor e o problema continuava. No entanto, era intermitente. A avaria acontecia às vezes de hora em hora, a cada 5 minutos. Variava. Porém cada vez tornava-se mais constante o fato.

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Chegando na edificação, um apartamento da construtora Tenda, achei estranho estar dando esse tipo de problema num apartamento novo. Como vi que havia um rebaixamento de gesso no imóvel, feito posteriormente a data de entrega das chaves, minha primeira impressão foi verificar se havia algum curto e, se não, verificar os níveis de corrente de cada circuito do apartamento cuja instalação era trifásica. No entanto, do quadro geral (QDC ou QGBT) para dentro do imóvel, não encontrei nenhuma avaria.

Foi aí que removi do barramento o fio terra (aquele verde), para ver se estava havendo algum curto fase-terra ou alguma fuga de energia. O problema se encerrou aqui. Pelo menos naquele dia, até eu ir embora.

Cerca de umas 3 horas depois de minha saída, já era madrugada, o cliente me retorna reclamando que acabou a luz novamente e que quando tentou ligar o disjuntor imediatamente após o desarme, houve um estouro e centelhamento do disjuntor geral.

Retornei ao imóvel no dia seguinte pela manhã. Estava mais claro e menos cansado, decidi, então, separar os circuitos que estavam antes (a montante) do QDC e os circuitos que estavam depois do QDC (a jusante), isto é, separação a montante e a jusante do QDC. Para minha surpresa, eis que com todo o apartamento desligado, o disjuntor geral desarmou. Gravei um vídeo para elucidar este interessantíssimo caso:

1. Da responsabilidade

Imediatamente após gravar o vídeo, a conclusão era de que a instalação do QDC para o apartamento estava boa. O problema estava do apartamento para fora, ou seja, entre o QDC e o padrão de energia ou até mesmo entre o padrão de energia e a rede da Light. Veja o esquemático:

Ao enviar o vídeo para o proprietário do imóvel, o mesmo indignou-se pois já havia contactado tanto a construtora (Tenda), quanto a Light e ambas diziam que o problema era do apartamento e, portanto, ambas afirmavam que a responsabilidade era do proprietário.

2. Do deslinde dos fatos

Como você, profissional da elétrica, conseguiria provar efetivamente de quem é a responsabilidade?

Como se deu a solução deste caso para mim?

Eu precisava provar de quem era a responsabilidade. E tinha poucos recursos e ferramentas para tal. Não tinha terrômetro, megômetro ou qualquer outro instrumento de caráter mais investigativo.

Novamente separei os circuitos. Separei tudo que era cabo da Light, no padrão de energia, e tudo que era cabo do prédio até o quadro do cliente. Testei continuidade com o circuito desligado, entre as fases e o neutro e nada.

Foi aí que ao religar uma fase por vez, verifiquei que com apenas uma fase ligada, as outras fases também estavam energizadas, no entanto, de modo intermitente, às vezes sim, às vezes não. Pronto, falha solucionada, havia um curto trifásico intermitente entre o QDC e o padrão de energia. De responsabilidade da Tenda, portanto. Provocada por uma falha de isolação nos condutores elétricos que iam do padrão de energia até o QDC do apartamento.

Foi chamada uma equipe da Tenda, foi mostrado o procedimento feito para comprovação e a Tenda acabou admitindo a responsabilidade pela instalação do cabo defeituoso.

3. Da comprovação da falha em laudo técnico

E, como seria se a construtora não reconhecesse a responsabilidade, como provaríamos em laudo técnico que havia uma falha no ramal de entrada do apartamento?

Umas das possibilidades seria usar um megômetro. O megômetro é pouco falado. É tímido. Fica um pouco escondido nas diversas referências bibliográficas sobre instalações elétricas. Para quem não conhece, o megômetro, também conhecido como megger, serve para medir a resistência de isolamento, normalmente em motores e transformadores. É possível detectar a fuga entre dois pontos de isolamento. Isso porque ele aplica uma tensão, que pode variar entre 500 e 15000 v, como dissemos acima, em um equipamento, efetuando a leitura do fluxo de corrente entre duas partes do equipamento. Você encontra mais informações sobre o megômetro na referência (2) deste artigo.


4. Da conclusão

São inumeráveis as avarias nas instalações elétricas que possam causar o desarme do disjuntor.

Este é apenas mais um desses casos, porém, chama a atenção por ser um problema pouco comum pelo menos para mim.

Após a troca, do condutor pela Tenda, a causa da intermitência do defeito ficou evidente. Ao retirar o condutor, o mesmo estava todo molhado, encharcado mesmo. Havia chovido dias antes e como o ramal era subterrâneo, o cabo, com uma falha de isolação, ao entrar em contato com a água, fechava um curto, sob certas condições. E, este fato, pode ser a continuação de um problema crônico, caso continue entrando água no eletroduto após uma chuva forte.

Recomendo a construtora Tenda, e outras que estão no mercado, a usarem um megômetro na instalação do padrão de energia e ramal de saída para evitar esse tipo de problema em novas construções. Sem falar, de outras falhas de projeto das instalações que encontrei, como o superdimensionamento do IDR, mas isso deixa para uma próxima história.

Espero que tenham gostado deste pequeno "estudo de caso".

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O bate-papo é nosso aqui nos comentários.

Grande abraço,
Wendel da Rocha.

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Referências Bibliográficas:

1. https://www.youtube.com/watch?v=xznAv8wynNk
2. http://www.portaleletricista.com.br/megometro/