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Uma empresa irlandesa entitulada "Nines Photovoltaics (Nines PV)" inventou um novo processo de produção que pode reduzir siginificativamente o custo de produção de células solares.

Em parceria com o "Institute of Technology Tallaght", a empresa começa a testar a produção piloto das células em escala industrial, requisito básico para entrada no mercado. Para isso captou cerca de 1,5 milhões de Euros em investimentos para testar a eficácia do patentiado processo fabril.

A técnica atual de produção usa um processo químico molhado para gravação de modo a afastar as camadas de silício para a formação das lâminas de silício cristalino. Vale lembrar, como um comentário do autor deste Blog, que as células fotovoltaicas fabricadas a partir de lâminas de silício cristalino (monocristalino ou policristalino) atualmente dominam o mercado mundial. As células fotovoltaicas atuais, portanto, usam a aplicação do efeito fotovoltaico, descoberto por Becquerel, em materiais semicondutores.

Para conseguir melhorias no processo de produção, a Nines foi na raiz e vasculhou todo o processo pré-existente. Isto é, ao invés, de usar um processo de gravação molhado, inventou uma técnica de gravação a seco e a pressão atmosférica. Dessa forma é possível cortar não somente custos, mais dar velocidade a produção. Além disso, um segundo efeito, as células ficam mais eficientes, uma vez que são mais escuras e mais leves. Os materiais químicos a serem utilizados na produção tem potencial zero em termos da questão do aquecimento global.

Essa técnica também permite a fabricação por linha de produção, ao invés de processamento por lote, que, claro é mais custoso.

Para os fabricantes, o novo processo pode cortar custos de fabricação em até 25%. Para fabricantes em alta escala, representará uma economia anual de cerca de 20 milhões de euros. O segmento é bem competitivo, vale lembrar que há grandes players chineses no mercado, e a chave para um aumento das margens pode estar na redução de custos. Por isso a técnica é tão bem vista e aguardada.

Em termos de mercado, o uso da técnica pode ser disruptivo e uma questão de sobrevivência. Empresas que não se adequarem a técnica podem falir em pouco tempo por não conseguirem competir no mercado.

Quem se lembra do oleoduto?

Na cadeia do petróleo, o advento do oleoduto por volta de 1870 foi uma invenção disruptiva tendo reduzido fortemente os preços e aumentado a competitividade do mercado nos Estados Unidos em pouquíssimo tempo. O fenômeno foi chamado de "Pennsylvanian oil boom" em razão do primeiro oleoduto ter sido construído na Pensilvânia. A história se repete?

 

Grande abraço a todos,
Wendel.

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Adaptado de: Irish Times (http://www.irishtimes.com/business/technology/irish-firm-s-invention-puts-cheap-solar-power-on-the-horizon-1.2959245#pt0-549811)

Outras referências:
1. http://static2.businessinsider.com/image/4defd684cadcbbe55e0d0000/chart-of-the-day-crude-oil-history-june-2011.jpg