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No meu último post, falei um pouco de aspectos relacionados a segurança da informação e de algumas medidas que adotei para tornar minhas informações mais seguras. E ainda indaguei: Você acha mesmo que seus arquivos guardados em serviço de nuvem (cloud) estão seguros?

Hoje vou mostrar mais uma medida que tenho adotado com sucesso. Eu criei minha própria nuvem com um custo operacional de cerca de R$ 5,00 a R$ 7,00 por mês para ter 320 GB em nuvem. Poderia ser 500 Gb ou até 1 Tb, você só precisaria comprar ou ter um HD com capacidade maior. Gostou da ideia? Veja o que você vai precisar. 

 

O que vamos precisar?

Vamos usar o Syncthing (em todos os computadores ligados a nuvem) + Raspberry Pi (ou Orange Pi) + HD 2,5" (Aqueles de Notebook) no Raspberry pi ou Orange pi.

Levando em conta o custo de aquisição, o Syncthing é um software livre, o Raspberry Pi (ou Orange Pi) é uma placa e, portanto, você deve gastar em torno de R$ 35,00 a R$ 40,00 dólares para comprá-la e o HD de 2,5" de 320 GB eu peguei de um notebook velho que tinha aqui em casa. Se você não tiver, representa mais um custo na aquisição da sua nuvem.

 

O Syncthing é um software livre muito interessante. Através do conceito de descentralização e de sincronização P2P, ele torna a nuvem muito confiável.

Como as nuvens tradicionais geralmente funcionam?


De acordo com a figura abaixo, é possível ter uma noção. Quando você salva seus arquivos na nuvem, seu dispositivo sincroniza suas informações atuais com um servidor remoto do serviço de contratação da nuvem. Quando você liga um segundo dispositivo ao servidor da nuvem, este servidor sincroniza os dados do primeiro dispositivo com o segundo dispositivo e assim por diante. O problema de se ter um servidor central, que você não sabe onde está e não tem controle nenhum sobre ele, é que suas informações podem ser interceptadas neste servidor pelo próprio serviço, pelo Estado, por invasores privados. Será mesmo que suas informações estarão protegidas?


Como a nuvem usada pelo syncthing funciona?

Com o Syncthing, a nuvem é descentralizada e ilimitada também, ou seja, não existe limite de tamanho do arquivo, tipo de arquivo, limitação de conteúdo. A nuvem é sua e você tem a liberdade de colocar nela o que você quiser e de compartilhar sua criação com quem você quiser. Você pode até estranhar essa liberdade no princípio, mais vai perceber que é uma grande vantagem. O único limite da sua nuvem será a nível de hardware, ou seja, se você colocou um HD de 320 GB na nuvem, você vai conseguir ter uma nuvem de no máximo de 90% a 95% do valor da capacidade do seu HD. Como desvantagem, pelo menos um dos dispositivos na nuvem devem estar ligados para haver sincronização de dados. A velocidade de download em que o dispositivo está ligado também influencia na velocidade de sincronização.

O papel do Raspberry PI ou Orange Pi?

Como vimos o Syncthing não tem servidor central, e portanto, se você não colocar um servidor central próprio, você só vai conseguir sincronizar seus dados quando pelo menos dois computadores ligados a sua nuvem ( o seu e alguém mais) estiverem ligados e com o Syncthing inicializado. É neste momento que entra o Raspberry Pi ou Orange Pi nesta história.

E por que o Raspberry Pi e o Orange Pi e não um PC velho??

Essas placas com processadores ARM são uma verdadeira revolução. Este tipo de placa vai possibilitar a internet das coisas, a ideia de smart cities e vai deixar sua vida bem mais inteligente no futuro, tal como, saber o que falta na geladeira de sua casa, quando você ainda está no trabalho, como ligar seu Ar condicionado remotamente quando estiver chegando em casa do trabalho. O conceito de Smart Grid também está ligado ao de Smart Cities e Internet of things. Depois falarei melhor em um post de toda essa revolução que está em andamento.

Mas a principal vantagem dessas placas com processadores ARM é que elas consomem bem pouca energia pela capacidade de processamento que oferecem. Você conseguirá colocar uma dessas placas como servidor central e não precisará se preocupar com mais de um computador ligado para garantir sincronização. O Raspberry Pi ou Orange Pi se encarregará da sincronização de seus arquivos em qualquer computador que estiver, ou seja, será como um como servidor central das nuvens tradicionais. Meu Raspberry Pi I que tenho aqui em casa consome cerca de 10 W. Se ele ficar ligado 24 horas por dia e 7 dias por semana, no fim do mês consumirá cerca de 7,2 Kwh, o que dependendo da sua região, representará um custo operacional de R$ 5,00 reais por mês em energia.

Raspberry Pi x Orange Pi

Eu tenho aqui o Raspberry Pi 1 B+ e um Orange Pi. Se você for comprar uma placa exatamente para fazer sua nuvem, recomendo o modelo Orange Pi Plus que tem processador quad-core de 1.6 Ghz e 1 GB de RAM. O modelo Plus, adicionalmente vem com uma entrada SATA para você já colocar seu HD externo. Veja as especificações do Orange Pi 2 Plus:

A vantagem também do Orange Pi é que ele roda os sistemas Android 4.4 , Lubuntu, Debian, Rasberry Pi Image, entre outros. Ou seja, você não fica tão dependente do Raspbian do Raspberry Pi. No mercado, você encontra outros modelos de placas tais como o Raspberry Pi ou Orange Pi, como o Banana Pi, o CubieBoard, entre outros. Enfim, faça sua escolha e seja feliz!

Pontos da instalação que talvez você tenha que prestar atenção na instalação de um servidor central ARM

Estando com o Raspberry Pi (Orange Pi) + HD 2,5" em mãos, você precisará instalar um sistema operacional na sua placa.  O sistema que eu uso é o Debian / Ubuntu. Sinta-se a vontade para escolher qual distro você se adapta melhor.

Passos para montar sua nuvem:

Vou deixar aqui algumas dicas que achei importante na hora da montagem da minha nuvem. Espero não ter esquecido nada. Qualquer coisa, o bate-papo é nosso nos comentários.

1° - Espete o HD de 2,5" em sua placa de desenvolvimento e verifique se o S.O. está montando a partição do seu HD automaticamente no Boot. Caso não esteja, é recomendável que olhe este tutorial neste site

Instalando o Syncthing

Para sistemas debian / Ubuntu, é muito fácil a instalação. Basta digitar os seguintes códigos no terminal linux:

curl -s https://syncthing.net/release-key.txt | sudo apt-key add -
echo "deb http://apt.syncthing.net/ syncthing release" | sudo tee /etc/apt/sources.list.d/syncthing.list
sudo apt-get update
sudo apt-get install syncthing
 

Os primeiros dois comandos adicionam os repositórios do Syncthing na sua distribuição e o último instala o programa via repositório.

Escolhendo a pasta default do Syncthing:

Digite no terminal:

nano ~/.config/syncthing/config.xml

ou se você estiver em modo gráfico:

gedit ~/.config/syncthing/config.xml

 

E edite o caminho da pasta default para o caminho onde seu HD externo está montado no sistema:


Verifique se o Syncthing está sendo inicializado automaticamente ao ligar o sistema operacional (Boot - StartUp), caso não esteja, este site dá uma dica que, no meu caso, funcionou bem.

 

Ao passo final, caso você deixe ligado o seu servidor ARM "Orange Pi / Raspberry Pi", o custo de manter sua nuvem ligada 24 horas por dia e 7 dias por semana será de cerca de R$ 5,00. Vale a pena ou não vale ter sua própria nuvem? Você também pode dividir custos com quem você for compartilhar sua nuvem. Enfim, o céu é o limite.

Deixe seu comentário.

Grande Abraço,
Wendel.

 

 

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